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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Poema Preso





Poema Preso
Viviane Mosè

A maioria das doenças que as pessoas têm são poemas presos.
Abscessos, tumores, nódulos, pedras…
São palavras calcificadas, poemas sem vazão.
Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado, prisão de ventre…
Poderiam um dia ter sido poema, mas não…
Pessoas adoecem da razão, de gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida, escorrendo em estado de lágrima.
Lágrima é dor derretida, dor endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida, raiva endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida, alegria endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida, pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor, tempo derretido é poema.
E você pode arrancar os poemas endurecidos do seu corpo
Com buchas vegetais, óleos medicinais, com a ponta dos dedos, com as unhas.
Você pode arrancar poema com alicate de cutícula, com pente, com uma agulha.
Você pode arrancar poema com pomada de basilicão, com massagem, hidratação.
Mas não use bisturi quase nunca,
Em caso de poemas difíceis use a dança.
A dança é uma forma de amolecer os poemas endurecidos do corpo.
Uma forma de soltá-los das dobras, dos dedos dos pés, das unhas.
São os poemas-corte, os poemas-peito, os poemas-olhos,
Os poemas-sexo, os poemas-cílio…
Atualmente, ando gostando dos pensamentos-chão.
Pensamento-chão é grama e nasce do pé,
É poema de pé no chão,
É poema de gente normal, de gente simples,
Gente de Espírito Santo.
Eu venho de Espírito Santo.
Eu sou do Espírito Santo, eu trago a Vitória do Espírito Santo.
Santo é um espírito capaz de operar o milagre sobre si mesmo

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Do Amor






"Vós nascestes juntos, e juntos permanecereis para todo o sempre.
Juntos estareis quando as brancas asas da morte dissiparem vossos dias.
Sim, juntos estareis até na memória silenciosa de Deus.
Mas que haja espaços na vossa junção.
E que as asas do céu dancem entre vós."

Khalil Gibran


Do Amor
Por Gibran Khalil Gibran (livro "O profeta")


Profeta de Deus em procura do infinito, quantas vezes sondaste as distâncias à espera de teu navio.
E agora teu navio chegou, e tu deves partir.

Profunda é tua nostalgia pela pátria de tuas recordações
e a morada de teus maiores desejos;
e nosso amor não te quererá prender, nem nossas necessidades te reterão.
Uma coisa, porém, pedimos-te: antes de no a deixares, fala-nos e dá-nos algo de tua verdade.
E nós a transmitiremos a nossos filhos, e eles a transmitirão aos seus filhos, e ela não perecerá.

Na tua soledade, vigiaste por nossos dias e, na tua vigília, escutaste os gemidos e os risos de nosso sono.
Agora revela-nos a nós próprios, e conta-nos o que te foi revelado, do que existe entre o nascimento e a morte."

E ele respondeu:

"Povo de Orphalese, de que poderia falar-vos senão do que está agora se movendo dentro de vossas almas?"

Então Almitra disse: "Fala-nos do Amor."

E ele ergueu a fronte e olhou para a multidão;
e um silêncio caiu sobre eles, e com uma voz forte,
dirigiu-se a eles, dizendo:

***************************************

"Quando o amor vos chamar, segui-o.

Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim.

Pois, da mesma forma por que o amor vos coroa,
assim ele vos crucifica.
E, da mesma forma por que ele contribui para vosso crescimento,
ele trabalha para vossa poda.
E, da mesma forma por que ele sobe à vossa altura e acaricia vossos ramos
mais tenros que se embalam ao sol,
assim também ele desce até vossas raízes
e as sacode no seu apego à terra.

Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor a vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas. Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino.

Todas essas coisas o amor operará em vós, para que conheçais os segredos de vossos corações e,
com esse conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino.

Todavia, se no vosso temor procurardes somente a paz e o gozo do amor,
então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez e abandonásseis a eira do amor,
para entrar no mundo sem estações, onde rireis, mas não todos os vossos risos, e chorareis,
mas não todas as vossas lágrimas.

O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui e não se deixa possuir.
Pois ele basta-se a si mesmo.

Quando um de vós ama, que não diga:
"Deus está no meu coração",
mas que diga antes: "Eu estou no coração de Deus".

E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
pois o amor, se vos achar dignos,
determinará ele próprio o vosso curso.

O amor não tem outro desejo,
senão o de atingir sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
sejam estes vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir a ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor;
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
e agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia,
e meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
e nos lábios uma canção de bem-aventurança."

****************************************************************
Então, Almitra falou novamente e disse: "E que nos dizes do Matrimônio, mestre?"

E ele respondeu, dizendo:

"Vós nascestes juntos, e juntos permanecereis para todo o sempre.
Juntos estareis quando as brancas asas da morte dissiparem vossos dias.
Sim, juntos estareis até na memória silenciosa de Deus.

Mas que haja espaços na vossa junção.
E que as asas do céu dancem entre vós.

Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão:
Que haja, antes, um mar ondulante entre as praias de vossas almas.

Enchei a taça um do outro, mas não bebais na mesma taça.
Dai do vosso pão um ao outro, mas não comais do mesmo pedaço.
Cantai e dançai juntos, e sede alegres; mas deixai cada um de vós estar sozinho.
Assim como as cordas da lira são isoladas e, no entanto, vibram na mesma harmonia.

Dai vossos corações, mas não os confieis à guarda um do outro. Pois somente a mão da Vida pode conter vossos corações.
E vivei juntos, mas não vos aconchegueis demasiadamente;
Pois as colunas do templo erguem-se separadamente;
E o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro."

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Poema de Anjo

Saulo Fernandes

Hoje eu acordei mais cedo
E fiquei te olhando dormir
Imaginei algum suposto medo

Para que tão logo pudesse te cobrir
Tenho cuidado de você todo esse tempo
Você está sobre o meu abraço, minha proteção
Tenho visto você errar e crescer, amar e voar
Você sabe onde pousar
Ao acordar já terei partido
Ficarei de longe escondido
Mas sempre perto disserto
Como se fosse humano, vivo
Vivendo pra te cuidar, te proteger
Sem você me ver
E sem saber quem sou
Se sou Anjo ou se sou o seu amor.





domingo, 24 de julho de 2011

Almas perfumadas

Ana Cláudia Saldanha Jácomo
(Para minha avó Edith)

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas,pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia. Minha avó era alguém assim. Ela perfumou muitas vidas com sua luz e suas cores. A minha, foi uma delas. E o perfume era tão gostoso, tão branco, tão delicado, que ela mudou de frasco, mas ele continua vivo no coração de tudo o que ela amou. E tudo o que eu amar vai encontrar, de alguma forma, os vestígios desse perfume de Deus, que, numa temporada, se vestiu de Edith, para me falar de amor.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vida a Vida















Fonte: Blog Sterneventos



"De todos as cores, vermelho.
De todas as flores, gérbera.
Reza toda noite antes de dormir.
E nunca esquece de agradecer pelas bonitezas do dia.
Agradece também pelo que é feio, mas engrandece.
Acredita que o sofrimento enobrece, mas nem sempre,
porque prefere o caminho mais fácil.
Põe o pé direito pra fora da cama primeiro. (nem sempre)
Herdou algumas supertições, além do riso fácil e do olhar ágil.
Está sempre apressada e atrasada.
Fala mais com as mãos, que com a boca.
Pensa mais rápido que fala e quase não fala o que pensa.
Aprendeu a ser comedida.
Tropeçou muitas vezes no caminho.
Já se apaixonou pra sempre.
Já morreu de amor.
Não acredita mais em príncipe encantado,
mas torce pra que lhe provem o contrário
Todo- santo- dia.”


Briza Mulatinho
Fonte: Blog Papel e Tudo

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Meu último homem

Fonte: Doce Limão



De: Ana Maria Gonçalves

Quando o meu último homem chegar
Vai me encontrar alerta
Armada de mil argumentos
Disposta a não mais amar
A porta semi-aberta
Mas com placa de 'Não Perturbar'.

Vai fazer uma reverência lenta
Respeitando as dores do meu coração
Mas vai ignorar o aviso
E usando como chave um sorriso
Invadir meu jardim
E fechar por dentro o portão.

Vai espreitar pela janela
Uma leve batida para não me assustar
Vai sentar-se à varanda
E perder-se a me olhar.

Vai fazer-se de velho amigo
Embaralhar suas memórias, como se fossem comigo
Aceitar um café e oferecer-se para ir buscar.

Quando meu último homem chegar
Aquecendo a vida entre os dedos
Perguntando porquê antes de nós
Passaram-se tantos dias assim
Vai roubar para ele meus segredos
E entregar os dele pra mim.

Vamos falar primeiro das flores,
Da época de poda do roseiral
Dos espinhos, passaremos às dores
E entre impossíveis e risíveis amores
Ele vai me contar das afrontas
Das mulheres que se diziam prontas
Mas que a vida tratou de medrar.

Vai me falar em especial sobre uma delas
Aqueles casos que não têm porquê acabar
Talvez só para eu ficar sabendo
Que o coração que agora me cabe
Já foi capaz de muito amar.

Vai respeitar meu silêncio enquanto penso
No que ela pode ser melhor que eu
E antes que eu me desmereça
Vai pousar um olhar no meu medo
Pintar nos meus olhos um futuro distante
Fazer-se meu, até perder de vista
Até fazer sumir do foco
Todos os que já vieram antes, pois :
- Em cada amor, meu amor, as coisas são diferentes.

E em meio a ervas daninhas
Vai arrancar lágrimas que eram só minhas
Mas que ele promete nunca mais deixar brotar.

Quando meu último homem chegar
Vai me embalar nas suas histórias
Vai puxar pra perto minha cadeira
E feita criado-mudo na cabeceira
Me dar seus sonhos pra eu guardar.

Vai trazer no bolso uma flor
Dessas do campo, que se dá sem ninguém cuidar
Emaranhá-la nos meus cachos
Chegar perto para um cheiro
E inundar-me os ouvidos com seus achos
Dizer - Porque sim, isto de amor
Acho que não tem que explicar.

Antes que meu último homem me beije
Fará das palavras dedos longos
A percorrer-me os contornos
Eriçar-me os entornos
Pedindo para eu nada dizer.
Quando este homem tomar-me as mãos entre as suas
Eu vou esquecer o cansaço
De ter estado a lhe procurar
E por todos os outros que beijei
Por todos os prazeres que lhes dei
Só vou me sentir agradecida
Por nada terem feito
A não ser me preparar.

Meu último homem terá assim um olhar
Daqueles que eu não consigo desviar
Rirá de mim, por mim, comigo, de si
Encherá meu mundo de um riso sem motivo
Estas coisas bobas de tão boas
Que fica só entre os amantes
E ninguém tem coragem de contar.

Esse meu último homem
Trará velas e incensos
E perguntará que disco eu tenho, pra combinar
Encherá o ar de suspiros amiúde
Dançará comigo, instigando meu querer urgente
Deixando o corpo afastado e rente
A brincar com meu desejo
No anti-clímax de me entregar.
E só então vai me dar um beijo
Lento, longo, possesso, posseiro
E daí pra frente eu não responderei por mim
Só lembrarei dele fazendo um carinho
Apertando o biquinho
Colocando a mão pra esquentar.

Meu último homem,
Não me dará direito a frescores
Manterá em brasa meus pudores
Vai me enlouquecer, fazer pedir, gritar.

Quando este homem me despir
Contemplará minhas imperfeições
Achando as coisas mais lindas de se olhar
Brincará com meu corpo nu
Mandará buscar nos meus sonhos infantis
As fábulas, os contos, os encantos
E todos os sonhos a que faço jus.
O que este homem quer de mim
É a fêmea,
Menina faceira
Cabocla trigueira
Gueixa submissa
Dama da corte
Puta
Voyeur
Dançarina única do harém.
E o que eu mais quero nele
É em mim, o que ele quer também:
Eu sempre junto dele, como sua última mulher.
Amém.

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações e citada a autora e a fonte.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Da saudade

Fonte: Corbis Images


De: Ana Jácomo

"Um dia desses, papo descontraído, uma colega de trabalho contou uma história que eu achei bem bonita, meu coração garimpeiro atento para descobrir preciosidades entre as outras coisas recolhidas na mina de cada instante.

Estava na casa do irmão, quando a sobrinha, criança na época, demonstrou tristeza no momento em que a tia comentou que havia chegado a hora de ir embora.

“Você vai me deixar sozinha?”

“Não, querida, você não vai ficar sozinha, vai ficar com a sua mãe e com o seu pai...”

A menina, numa dessas sábias tiradas amorosas que criança diz sem cerimônia, e adulto, por mais que sinta tão sinceramente, tantas vezes fica encabulado pra dizer, mandou esta:

“Eu sei, mas eu vou ficar sozinha de você!”

Este é um dos poemas mais lindos, eloquentes, instantâneos, que já li sobre a natureza da saudade. Inclusive, de nós mesmos."


domingo, 24 de abril de 2011

Além da Terra, além do Céu

Fonte: Corbis Images


Além da Terra, Além do Céu
(Carlos Drummond de Andrade)

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Isadora


Música que Alexandre Lemos fez para filha que havia nascido.

Compartilhada pelo meu amigo Elfinho. ;)



















Foto: Alegria - Pintar as emoções (por alunos do 6o. ano) 




Isadora
(Alexandre Lemos)

E veio à luz
Brilhando pequenina como brilham as estrelas quando são azuis
Ou quando por estarem muito longe lá no céu parecem camafeus
Ou mesmo olhos claros como raros devem ser os olhos lá de Deus
E veio assim
Atropelando as horas, disparando o coração de quem espera, enfim
Que a natureza saiba o que fazer nesses momentos em que a vida vem
E vida vindo aflita ainda forte e tão bonita pode ser também
O meu amor viaja
Decide o próprio rumo, fura túneis na montanha
E mesmo que não haja saída aparente
O meu amor é renitente e bota o pé na estrada
Meu amor não quer mais nada a não ser saber que a vida veio
Me deixando o rosto cheio de felicidade, susto e cor
Nasceu meu novo amor
E é bom demais
Lelena abrindo a caixa de Pandora e recebendo Isadora em paz
Fazendo a madrugada, de repente, rebrilhar em um milhão de sóis
Pra derreter o medo congelado que havia em cada um de nós
E ainda bem
Que a natureza sabe o que fazer nesses momentos em que a vida vem
Tão frágil como porcelana fina, cara de menina e aprendiz
Deixando a gente louco de vontade de gritar que a gente tá feliz.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cambalhota

"Para ter uma ideia de como as emoções lhe chegam, imagine uma cambalhota. O mundo fica de cabeça para baixo, tudo fora do lugar por alguns instantes. A vida gira, gira e para, de repente, num solavanco. Não entende muito de gravidade, nem de física. Pensa que o assunto é de anatomia: um corpo dobrado, pescoço curvado e... virou!
Quando se estica, tenta perceber o lugar que estava normal, depois ao contrário e então, normal de novo. Ou será que é do outro jeito que é certo? Nunca vai entender. Só sabe que qualquer coisinha revira tudo."

(Sabrina Davanzo)

Agora

Vez em quando o agora é tarde.
O agora é nunca
e nunca mais torna a acontecer.
Vez em quando o agora é nada
e nada muda isso agora.

(Sabrina Davanzo)

Um

Que hoje eu viva apenas este dia, plena de mim.
E que eu não tenha medo do que está por vir,
nem pena do que tem de partir.


(Sabrina Davanzo)

sábado, 27 de novembro de 2010



“A experiência amorosa exige sacrifício. Não se ama para ser recompensado. O amor é sua própria recompensa. Não resisto em citar Drummond falando da poesia coisa parecida: ‘Poesia, o perfume que exalas é tua justificação’. Não há amor fácil, mas todo amor é maravilha, saúde, ‘remédio contra a loucura’, coisa que Guimarães Rosa ensinou. É a experiência humana mais exigente; não é contrato, troca de favores, investimento, é entrega e compromisso. Do ‘sacrifício’ de amar nasce a mais perfeita alegria. Ninguém faz cara feia quando se sacrifica por amor. Não se trata de anulação, subserviência de quem ama, trata-se da morte do ego, tarefa a ser feita até o último suspiro.”

(Adélia Prado)

domingo, 19 de setembro de 2010

Me encante

(Pablo Neruda)

Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar…

Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser…
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos…
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar…

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar…

Me encante com suas palavras…
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade…
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com o seu primeiro namorado…
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva…

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre…
Mas, me encante de verdade, com vontade…

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias…
Pelo resto das nossas vidas!!!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A mulher

(Vinícius de Moraes)

Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade
de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave.

Não sei

Cora Coralina

Não sei... se a vida é curta...

Não sei...
Não sei...

se a vida é curta
ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo:
é o que dá sentido à vida.

É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
mas que seja intensa,
verdadeira e pura...
enquanto durar.

Poeminha Amoroso

Cora Coralina

Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A força do amor

Meu rosto em teu olhar
e, o teu, no meu reflete
E do manto do rosto
o coração se veste.
Um par de hemisférios
que melhor se complete.
Onde há, sem norte ou
declinante oeste?
Em desigualdade tudo
o que morre está.
Se nosso amor é um só
e formamos um par,
De amor tão igual e forte
ninguém morrerá.

(in Tristão & Isolda)
23/07/08

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O doce mistério da vida

Maria Bethânia declama o lindo "Poema do menino Jesus", de Fernando Pessoa e canta a seguir "O doce mistério da vida".

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Hino ao sol

















Marcus Viana

Sobre as nossas cabeças um sol
Sobre as nossas cabeças a luz
Sobre as nossas mãos a criação
Sobretudo o que mais for do coração

Luz da fé que guia os fiéis
Pelo deserto sem água e sem pão
Faz pedras o rio brotar
Faz do céu chover forte o maná

Quebra o vaso de barro do teu coração
Com o melhor vinho do teu amor
Depois quer a lei que ele se perca no chão
E floresça um deserto aos seus pés

Regando as areias
Recriando regatos
E as luzes do Éden das flores
Na terra dos homens
No circo dos anjos guardiões
Implacáveis do céu

Dançamos a dança da vida
No palco do tempo
Teatro de DEUS
Árvore santa dos sonhos
Os frutos da mente
São meus e são teus

Nossos segredos guardados
Enfim revelados nus sob o sol
Segredos de DEUS tão guardados
Enfim revelados nus sob o sol.

Publicado em 06/04/2010 (dia do meu aniversário).